terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fabrizio Bellucci


Seu cabelo era molhado de gel, sua expressão era apática e sonolenta.
Gostava de atirar pedras em encostas de rio, porque apreciava o modo como as mesmas afundavam.
As pedras que ele arremessava eram como ele: ríspidas, imprestáveis e prestes a afundar. 
Não havia nada que ele apreciasse mais do que andar pelas ruas pecaminosas de sua cidade, sem rumo, sem lei. Um vagabundo e sua sujeira.
Sempre portava consigo uma lata de tinta em spray, um canivete, uma seringa usada e um cantil de bebida, basicamente seus únicos pertences. 
Vestia-se como um Teddy Boy: blazer escuro com golas de veludo preto; camisa com a gola alta e solta, estilo colarinho Mr. B; calça reta e afinada com cintura baixa, deixando parte de sua meia à mostra; sapatos de camurça com sola grossa, os famosos creepers. Não fazia parte de nenhuma gangue, apesar de ser um delinquente nato.
Seu nome era Fabrizio e ele sempre aceitava mais um copo de cerveja.
"Maldito desafortunado" - praguejava para si mesmo.
Há meses esperava que suas costeletas crescessem, era de fato ele um jovem vaidoso, talvez sua vaidade excessiva fosse o seu pior defeito, dentre tantos que tinha, era egoísta, egocêntrico, calculista, pretensioso, presunçoso, sobranceiro e arrogante. 
Mas apesar de ser cheio de defeitos, tinha virtudes notáveis, porém virtudes essas que de tão sucumbidas por sua pecha eram quase imperceptíveis, até mesmo por ele. 
Se considerava o maior fã nascido desde então de Kevin Pietro, o campeão londrino de boxe. Mas não era pra menos, Kevin era um campeão invicto, de suas 14 lutas, ganhara as 14, sendo 6 dessas vitórias por KO. O jovem sonhava em ser um campeão invicto no boxe, apesar de sempre levar corsas fenomenais dos moleques da rua de baixo quando estava sedado demais de morfina pra poder se defender. Dessa admiração toda nasceu a sua vontade de ter costeletas, afinal Kevin tinha as mais vistosas que Fabrizio já tinha visto. 
Era de fato um desafortunado, havia saído de casa aos 17, tinha formado uma banda Mod com alguns colegas de sua escola e foi morar com os mesmos. A banda não durou muito tempo, só vivia com os supostos colegas, porque necessitava da droga que eles regurgitavam para ele. A vida naquele ambiente, seu suposto lar, estava sugando a sua afoiteza e ele precisava ir embora. Decidiu refugiar-se em um bar maculado que costumava ir nos sábados desafogados, lá encontrou uns viciados tão perdidos quanto ele. E foi tanta conversa jogada no ar, tanta risada que mais parecia urros de dor crônica, tanta seringa compartilhada e tantos copos de cerveja derramados garganta abaixo que o dia amanheceu com um aspecto sujo e escabroso. 
O relógio marcava 6:00 AM, suas olheiras pareciam bolsas da mais pura boemia existente, ele precisava encontrar um lugar para morar, e talvez um emprego, mas o que não saia de sua cabeça era o porquê de suas costeletas não crescerem. 

4 comentários:

  1. Respostas
    1. "Quero ser rebelde, mas meu cabelo tem que estar sempre arrumadinho e minha roupa sempre bem passada" HUE

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    2. Os rebeldes puramente obcecados por vaidade e não por rebeldia são os mais legais, na boua.

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  2. Descobri quem é: é Bukowski, mais novo e menos nojento

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