Sem título, sem túmulo
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
88 teclas
Sempre pensei que o caos comandava a minha vida, até que eu conheci a reciprocidade. Percebi que o mais valioso encanto nasce do mistério, como o teu olhar que é como uma vela acesa, ilumina a escuridão próxima, mas não revela de imediato o que está por vir. Pensando nos teus encantos, me vi dentro de um enigma, afinal não é todo dia que se pode encontrar alguém que te faz enxergar além da normalidade e ser tudo aquilo que sempre esperei em outra pessoa. Tudo é tão incrível, sua pele é como um poema concreto, a medida que se olha, pode-se perceber a beleza dos detalhes, que geometricamente se distribuem para formar o seu corpo; sua boca é como a Akuma no Mi, que a medida que eu te vivorava, sentia como se um poder estivesse nascendo dentro de mim; suas mãos são como deuses, que em parceria criam músicas nas quais poderia morar nelas; ao pensar nas principais características me pego pensando, seria eu capaz de descrever tudo? Creio que não, pois além da infinidade de qualidades físicas maravilhosas, ainda existem as interiores que me deixam extremamente dengosa. A minha mente se sente instigada a pensar em ti, pois eu só escrevo sobre o que invento, contudo preciso decifrar meu sentimento através de minhas palavras, pois a percepção concreta também nasce da nossa abstração, inclusive de pegar um ser humano tão grandioso e limita-lo em simples palavras.
domingo, 9 de novembro de 2014
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Contemplação pragmática
Gosto de pensar que a vida nada mais é que uma música de Chico Buarque
Que eu posso escrever que nem Mario Quintana (que dos poetas, era um dos mais tortos)
Talvez eu só precise de acalantos pra viajar pra essa atmosfera mágica onde eu posso ser quem eu quiser
Sou tão poeta que posso até fazer mimos pra mim e acreditar que foram de um moço distinto que de tão tímido preferiu o anonimato
Posso até voar pra perto de ti, ó estrela
Que eu posso escrever que nem Mario Quintana (que dos poetas, era um dos mais tortos)
Talvez eu só precise de acalantos pra viajar pra essa atmosfera mágica onde eu posso ser quem eu quiser
Sou tão poeta que posso até fazer mimos pra mim e acreditar que foram de um moço distinto que de tão tímido preferiu o anonimato
Posso até voar pra perto de ti, ó estrela
Me lembro de quando eu não tinha ninguém além de ti e que um dia desses te pedi um milagre
Tu me ouviu pacientemente, enxugou minhas lágrimas e me fez sorrir um pouco
Obrigada, estrela
Por atender ao meu pedido
Por ter me tornado um rio que deságua no mar
Fleuve.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Fabrizio Bellucci
Seu cabelo era molhado de gel, sua expressão era apática e sonolenta.
Gostava de atirar pedras em encostas de rio, porque apreciava o modo como as mesmas afundavam.
As pedras que ele arremessava eram como ele: ríspidas, imprestáveis e prestes a afundar.
Não havia nada que ele apreciasse mais do que andar pelas ruas pecaminosas de sua cidade, sem rumo, sem lei. Um vagabundo e sua sujeira.
Sempre portava consigo uma lata de tinta em spray, um canivete, uma seringa usada e um cantil de bebida, basicamente seus únicos pertences.
Vestia-se como um Teddy Boy: blazer escuro com golas de veludo preto; camisa com a gola alta e solta, estilo colarinho Mr. B; calça reta e afinada com cintura baixa, deixando parte de sua meia à mostra; sapatos de camurça com sola grossa, os famosos creepers. Não fazia parte de nenhuma gangue, apesar de ser um delinquente nato.
Seu nome era Fabrizio e ele sempre aceitava mais um copo de cerveja.
"Maldito desafortunado" - praguejava para si mesmo.
Há meses esperava que suas costeletas crescessem, era de fato ele um jovem vaidoso, talvez sua vaidade excessiva fosse o seu pior defeito, dentre tantos que tinha, era egoísta, egocêntrico, calculista, pretensioso, presunçoso, sobranceiro e arrogante.
Mas apesar de ser cheio de defeitos, tinha virtudes notáveis, porém virtudes essas que de tão sucumbidas por sua pecha eram quase imperceptíveis, até mesmo por ele.
Se considerava o maior fã nascido desde então de Kevin Pietro, o campeão londrino de boxe. Mas não era pra menos, Kevin era um campeão invicto, de suas 14 lutas, ganhara as 14, sendo 6 dessas vitórias por KO. O jovem sonhava em ser um campeão invicto no boxe, apesar de sempre levar corsas fenomenais dos moleques da rua de baixo quando estava sedado demais de morfina pra poder se defender. Dessa admiração toda nasceu a sua vontade de ter costeletas, afinal Kevin tinha as mais vistosas que Fabrizio já tinha visto.
Era de fato um desafortunado, havia saído de casa aos 17, tinha formado uma banda Mod com alguns colegas de sua escola e foi morar com os mesmos. A banda não durou muito tempo, só vivia com os supostos colegas, porque necessitava da droga que eles regurgitavam para ele. A vida naquele ambiente, seu suposto lar, estava sugando a sua afoiteza e ele precisava ir embora. Decidiu refugiar-se em um bar maculado que costumava ir nos sábados desafogados, lá encontrou uns viciados tão perdidos quanto ele. E foi tanta conversa jogada no ar, tanta risada que mais parecia urros de dor crônica, tanta seringa compartilhada e tantos copos de cerveja derramados garganta abaixo que o dia amanheceu com um aspecto sujo e escabroso.
O relógio marcava 6:00 AM, suas olheiras pareciam bolsas da mais pura boemia existente, ele precisava encontrar um lugar para morar, e talvez um emprego, mas o que não saia de sua cabeça era o porquê de suas costeletas não crescerem.
Sorvete de brigadeiro
Essência de baunilha
Semente de girassol
Perfume de Jasmim
Talo de alecrim
Chá de hortelã
Incenso de lua
Levei o lixo para fora, ele queria ver as luzes Natalinas
Eu guardei uns versinhos bobos pra ti dentro do meu peito
Pra que ninguém os encontrasse
Pena que eu os encontrei.
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